terça-feira, 12 de setembro de 2017

"Mamã porque é que eu sou a primeira a chegar à escola tantas vezes?"

#@ Eu sabia que esta pergunta haveria de chegar, mais cedo ou mais tarde, (e chegou hoje mesmo!) só nunca pensei que me afetasse tanto. Na verdade, surgiu do nada, num momento em que estávamos a fazer um puzzle, as duas, na sala. A Mariana pára, olha para mim e "lança a bomba": "mamã, porque é que eu sou a primeira a chegar à escola tantas vezes? Ainda é de noite e tudo. Não é justo". 

Fiquei completamente sem "pinga de sangue"; foi como se me tivessem espetado uma faca no coração. Tive mesmo de conter as lágrimas para lhe responder, com um sorriso amarelo: "então filhota, tu sabes que a mãe tem de ganhar o tostão, e como trabalha longe da nossa casa, tem de te deixar muito cedo". Ela parece ter-se dado por satisfeita, pois não disse mais nada e continuou a brincar, mas eu senti-me a pior mãe do mundo.

Mentalmente, tentei fazer um racíocinio lógico: o pai tem folgas durante a semana e nesses dias ela vai mais tarde e vem mais cedo da escola; eu estou sempre de folga aos fins de semana e aproveitamos ao máximo o tempo a três (ou a duas quando o maridão está a trabalhar); dedicamos sempre uma hora do nosso dia a fazer algo que ela escolhe (mesmo que seja à noitinha).... E mesmo assim, não me senti melhor...

Chego à conclusão que este "racíocinio mental" não passa de uma forma de me tentar "tranquilizar" e até mesmo "desculpar" a mim própria, pelas tantas horas diárias que a princesa passa na escolinha. Sim, ela está bem entregue, isso nem se põe em questão, confio plenamente no colégio; sei (e vê-se ) que ela é uma menina feliz e bem disposta; mas esta pergunta foi mesmo um "murro no estômago" e não consigo deixar de me sentir culpada e "pequenina". Nestas alturas é quando mais sinto falta de ter os meus pais (e sogros) por perto (quem ainda não leu, veja este post e perceberá). Seria tudo tão mais fácil (sobretudo para a princesa, que é quem mais "sente").
Hoje não está fácil por estes lados...

E vocês, como gerem estas perguntas difíceis que os nossos rebentos nos colocam? Qual foi a pergunta que mais vos custou ouvir/responder? Desabafar convosco faz-me bem. E ter o vosso feedback também; "sou toda ouvidos".

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@Mamã do @Bazar @#

24 comentários:

  1. Oi custa tanto.
    Felizmente tenho horário para a deixar na escola às 8.30 e ir trabalhar que é pertinho, felizmente tenho a minha mãe que é uma ajuda preciosa, muitas vezes vai busca-la para não ir para o ATL, Tb tenho a sogra a alguns km, não me ajudando tanto devido à distância e de não ter como se deslocar, mas sei que posso contar com ela.
    Tb não posso contar muito com o pai, sai cedo e vem tarde, por vezes Tb me sinto esgotada.
    Tudo o que fazemos é para o bem estar delas, agora podem não se aperceber mas um dia mais tarde vão ver o que batalhamos e abdicamos.
    Um grande beijinho

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  2. Boa noite ruby. Obrigada pelo comentário e pelo testemunho. Infelizmente não tenho a mesma sorte de ter família perto.
    Mas é como diz, por elas tudo. E o amor acaba por nos dar força e alento para superar os dias menos bons.
    Obrigada por acompanhar o blogue.
    Um abraço grande :)

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  3. Eu não tenho filhos, mas fui filha de alguém. Por razões da vida a minha mãe tinha de dar 90% do tempo ao meu irmão e 10% a mim. No entanto esses 10% foram aproveitados ao máximo e foi isso que me ficou na alma. Existem pais que estão imenso tempo com os filhos, mas ao fim do dia é uma presença ausente. Força a todas as mães e pais.

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    1. Sábias palavras ana. E obrigada por as deixar ficar. Estava mesmo a precisar de "ouvi-las". Tento dar o melhor de mim. E o se testemunho faz-me acreditar que nem tudo é mau.
      Obrigada por acompanhar o blogue e pela força.
      Um grande beijinho

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  4. Bom dia Sónia. Tenho a Maria com 3 anos... e entendo bem o que sente. Tentei colocá la no infantário áos 5 meses e desisti após 2 semanas por não conseguir ver o sofrimento dela. ( vómitos...choros... olhos tristes...) Fui obrigada a fazer alterações a nível profissional que me permitissem de manhã estar com ela e a tarde a minha mãe. ( troquei um trabalho das 9h as 19h por um na área de vendas )ASsim foi até aos 2 anos . Aos 2 anos coloquei a num infantário privado e era a última a entrar e a primeira a sair. ( 10h entrava... 17.30h ia buscar) . Pois é... entretanto este ano nasce um irmão... a cachopa passa a ir as 8h com o pai para a escola e a vir qd ele sai. 18h... só dai...já sentiu... pois eu com um bebé pequeno quase que passei a pasta de a ir levar e buscar ao pai...em termos práticos muito melhor. A verdade é que desde que voltamps de férias estou a dosear melhor as coisas. O pai leva mas a mãe vai buscar! Esta semana " a minha mamã TAMBÉM me veio buscar " :') simm !!! Eles sentem !!! E muito!

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    1. Bom dia. Antes de mais parabéns pelo pequenino. Agradeço as suas palavras. Dão algum alento ao meu coração de mãe ❤ saber que não sou "caso único". Nós, mães, somos super mulheres. Pelos nossos filhos tudo.
      Beijinhos e seja bem vinda.
      Acompanhe as nossas aventuras e vamo-nos apoiando. Afinal, as super mães são ótimas nisso :).

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  5. Este post é tão difícil para nós mães, no entanto essas respostas são mais para nós do que para eles.
    O que aconteceria de diferente na vida da Mariana se ela não fosse a primeira a chegar?
    Essa resposta é aplicada a si, Sónia.
    Estes nossos medos face aos nossos filhos e à sua segurança e felicidade e educação, refletem maioritariamente às nossas fraquezas. Aqueles pontos que nos dizem algo internamente. Algo forte. Beijinhos grandes às duas. Vocês são lindas ��

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    1. Obrigada pela sua resposta doce. Sem dúvida que me pôs a pensar.... as suas palavras fazem todo o sentido. Às vezes sabemos o que queremos. Não temos é coragem para o fazer....
      Agradeço por me.fazer companhia. Siga o blogue 😊. Será muito bem vinda 😍

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  6. Olá, compreendo o que sente. Eu sou mãe de duas meninas e nem sempre sou ficam na escola o mesmo tempo, as vezes 6horas outras vezes 8e já chegaram a ficar 10.a realidade dos nossos dias é que essa é quem não tem, e como É que rugby alguém para dar suporte é bom complicado. Eu costumo pensar que assim: a minha mãe sempre trabalhou por turnos e a sua ausência fisicamente era constante, mas isso não a impediu de me dar uma boa educação e de me fazer entender que apesar de passar pouco tempo em connosco era por nós que o fazia. Hoje, o olhando para trás não me importo de ter sido a Última a ficar tantas vezes, e a Primeira a chegar outras tantas. Hoje sei que no geral, há excepções infelizmente, uma mãe Fã o possível é e o impossível é por um filho e trabalhar por eles para eles, é o que também uma forma de lhes dizer o quanto queremos que nunca tenham que passar qualquer coisa dificuldade. Embora hoje ela possa não entender tão bem, um dia vai perceber a mãe lutadora que que tem. Não se martirize �� somos mães e mulheres e esposas e profissionais, tudo ao mesmo tempo. Não há ninguém que nos bata nesse aspecto. É aproveitar ao máximo todo o tempo útil que temos com eles, e tudo o resto pode esperar. Força e aí ����

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    1. Obrigada pelo seu testemunho e pelas palavras de incentivo. Acabam por acalmar um pouco o meu coração de mãe. Sabemos e acreditamos que é pelo melhor, mas não deixa de doer.
      Mas sorriso nos lábios e pensamento positivo sempre. A mariana merece que a mãe esteja sempre bem quando estamos juntos.

      Seja bem vinda ao blogue e faça seguir para nos acompanhar sempre. Será um gosto 😊😗

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  7. Quando ela crescer vai te amar e admirar ainda mais por isso!!

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    1. Obrigada pelas palavras 😍. Espero que sim. Tudo o que faço é tendo isso em mente.

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  8. Eu era uma das primeiras a chegar na escola também, e as vezes uma das ultimas a sair.Mais sabe, isso me fez valorizar mais alguns momentos em casa com meus pais. Ela é pequena mas daqui a pouco já vai entender e sentir muito orgulho.
    Beijos

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    1. Agradeço do fundo do coração as suas palavras. Dão me mais força e alento porque há dias em que é muito dificil. Beijinhos grandes

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  9. Olá !
    Eu não tenho filhos, por isso não sei o que lhe poderás dizer para que as coisas possam ter um resultado diferente. No entanto, posso partilhar a minha experiência enquanto filha. Enquanto andava na primária, era o meu pai que me levava e a minha mãe que me ia buscar. Na ida, como o meu pai ia para o trabalho, também ele ia mais cedo e levava-me à escola, mas nunca muito mais cedo. Mas quando era para me vir buscar, às vezes ficava horas à espera da minha mãe, porque ela tinha trabalhos para entregar. Na altura, admito, ficava triste.
    Mas agora olho para trás e vejo que a vida às vezes é assim. Além disso, podia passar mais tempo com os meus amigos ou até conhecer amigos novos que, tal como eu, também tinham horários estranhos ;)
    O importante é ver sempre o lado positivo das situações!
    Que corra tudo bem com a pequena!
    Beijinhos*

    BeYowesome | Facebook

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    1. Adorei o seu ponto de vista. Espero que a mariana consiga pensar da mesma forma. Conseguiu acalmar um pouco o meu coração 😊. Obrigada e um beijinho muito grande 😊

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  10. Não sou mãe, ainda sou muito nova, mas se compensas a tua filha nas horas em que não trabalhas isso é ótimo! Melhor do que pais que trabalham menos mas não passam o tempo livre com os filhos ou a fazer algo com os filhos!

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    1. Obrigada vera pelo comentário. Tento compensar sim. Ela é a prioridade (e alegria) cá de casa 😍. Beijinhos

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    2. O meu filho (4 anos) é o último a chegar à escola, por um "simples motivo", só está comigo de manhã (sensivelmente 1h, o tempo de acordar, comer, vestir e ir levar à escola). Tinha o meu filho 1 ano quando, na fábrica onde trabalho, me obrigaram a passar para o turno (fixo) das 16h às 00h. Por Isso, o meu filho só sabe o que é jantar com a mãe, adormecer embalado pela mãe e receber um beijo de Boa noite da mãe, ao fim de semana e nas férias... É muito frustrante, acredite.. Mais ainda lhe conto, sou licenciada em educação de infância....... Temos que tentar aproveitar o máximo tempo possível com eles e, dar-lhes toda a atenção que precisam nesses momentos em família. Beijinhos

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    3. Obrigada pelas palavras e pelo seu testemunho inspirador. Muita força a nós ❤. Feliz ano novo

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  11. Olá :) eu sei bem o que é esse sentimento que sentiu com a pergunta da sua menina. Eu tenho um menino de 4anos que durante um ano tive um horário que entrava as 9h e saia as 20h e o meu menino perguntava sempre quando o ia levar e buscar a escola, é uma pergunta que nos deixa com o coração apertado e os olhos cheios de lágrimas. Hoje não o tenho levado a escola, só na minha folga mas vou todos os dias buscá-lo e só a felicidade que vi nos olhos dele nada consegue comprar isso. Sou mãe solteira mas posso contar com ajuda da avô paterna para o ir levar escola. Nada neste mundo compra a felicidade dos nossos filhos
    Beijinhos

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    1. Que testemunho inspirador ❤. Obrigada pela partilha ❤. Feliz ano novo para si e os seus

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  12. Não sou mãe, não sei como é lidar com essas questões, mas imagino que não seja de todo fácil.
    Irei passar pelo mesmo :(
    Beijinhos
    https://a-carlota.blogspot.pt/

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    1. Só hoje reparei na resposta ❤. Obrigada pela partilha. Beijinhos e feliz ano novo ��

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"Eu, mãe, também preciso de uma pausa..."

#@ E não, não tenho vergonha ou problema em o admitir. Ser mãe transforma a nossa vida completamente.  Aprendemos o que é amar incondicional...