sexta-feira, 2 de março de 2018

"Quando te esqueces que além de mãe, és mulher..."


#@ Ninguém me disse que seria fácil ser mãe, mas todos disseram que valeria a pena (e disso não há dúvidas!). Desde que me conheço, que o desejo de gerar vida me acompanha. Mais do que um sonho, para mim, sempre foi uma certeza. O dia mais feliz da minha existência foi quando peguei a Mariana nos braços e senti este amor que me completa; este amor incondicional que é comum a todas as mães.

Mas... e a parte do não ser fácil... O que significa? O que "se esconde por trás" desta afirmação que é unânime a todas as mães (pelo menos as que conheço, lido, falo)? E não falo das noites mal dormidas; da saga das "ites"; do nunca mais conseguir ir à casa-de-banho sozinha; da falta de tempo para sair com amigos; das birras; dos medos e receios de não estar há altura de cuidar de um recém nascido;... Falo sim de algo "mais obscuro"; mais profundo; às vezes tabu - a nosssa invisibilidade (temporária ou não....) enquanto mulheres...

Quando a Mariana nasceu, começou a "saga da mãe invisível": a preocupação centra-se no bebé - amamentar; visitar; pegar ao colo; beijar; saber se está a crescer e a aumentar de peso. Não me interpretem mal, entendi esta preocupação e respeitei (e respeito) o amor que têm pela minha filha. Mas então e eu? Ninguém me perguntou como me sentia; se tinha dores (no meu caso foi cesariana); se tinha medo; se estava cansada...

O casamento também mudou nos primeiros tempos; foi necessário haver uma adaptação à nossa nova condição de pais - e não foi fácil (especialmente sem família por perto). Não julgo o meu marido, nem o culpo, longe disso. Após sermos mães, as emoções estão à flor da pele; e senti-me como se ninguém me compreendesse. Foi uma fase complicada que a maioria de nós recém mães passamos, mas que não falamos; escondemos, omitimos, fazemo-nos de fortes...

Ao fim de algum tempo, acho que me habituei somente à Sónia mãe, e esqueci (negligenciei até!) a Sónia mulher. O meu corpo não estava como eu queria, eu não tinha tempo para mim, o maridão a trabalhar em horários trocados, eu responsável pela Mariana muitas vezes sozinha,... A vontade de cuidar de mim e de me "pôr bonita" foi ficando esquecida e tornou-se cada vez menos prioritário. Vesti a capa de super mulher e aceitei esta realidade, deixando de parte o meu lado mais feminino. A expressão mais correta é "admitir que me acomodei"...

O "click" deu-se quando, após um dia "daqueles", me sentei cinco minutos a brincar com a Mariana e ela me diz:  "mamã, porque estás triste?";  respondi: "eu não estou triste filha. Porque dizes isso?"; "é que não sorris mamã; estás sempre com essa cara zangada e cansada". 
Foi aí, nesse exato instante que percebi: a minha invisibilidade estava a afetar a minha visibilidade perante a pessoa que mais amo no mundo; estava a transmitir-lhe a imagem de uma mãe cansada; triste; sem energia. E isso não podia (nem pode ser).

Nessa noite, olhei-me no espelho e vi além das olheiras, do cabelo a precisar de corte e pintura, da cara cansada, do corpo com vontade de desfalecer. Olhei e vi uma mulher, além de uma mãe, que precisa de estar no seu melhor para dar o seu melhor à Mariana. Repeti para mim mesma: "Está na hora de tornar a ser vísivel. Por mim. Porque eu quero. Porque eu mereço".
Desde então nunca mais passou um dia sem que repita esta frase. 

O meu objetivo com este texto não é alarmar ninguém, mas sim desabafar e partilhar convosco que acontece com todas nós, a dada altura. E que não é vergonha nenhuma admitir. Há uma luz ao fundo do túnel sim. Nós só temos de a seguir ❤.
Alguém por aí que se quiera juntar a mim e desabafar o que lhe vai na alma? Sintam-se à vontade. Este cantinho é nosso; e eu "sou toda ouvidos".

Até ao próximo post.

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